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Uma moça com asas e chapéu de fada entra na clínica à procura de dentes extraídos: essa é a imagem que os membros colaboradores do Banco de Dentes Humanos (BDH) da Faculdade de Odontologia (FO) da USP querem deixar na memória das crianças para incentivar a doação. Nas clínicas da FO, uma funcionária fantasiada de Fada dos Dentes será a responsável pela coleta. As doações permitem ao Banco armazenar cerca de oito mil dentes, que são usados em pesquisas e aprendizagem.
O BDH surgiu em 1996 por uma iniciativa pioneira do professor da FO, José Carlos Imparato, para o fornecimento de dentes para pesquisa a alunos e pesquisadores. "Os professores pediam muitos dentes aos alunos e eles os obtinham em cemitérios ou compravam. Isso é ilegal, é comércio de órgãos", conta Imparato, que também é coordenador técnico-científico do BDH.
Outro objetivo era a conscientização dos professores da dificuldade em obter dentes humanos. Alessandra Nassif, doutoranda da FO, conta que os professores chegavam a pedir uma arcada inteira para cada aluno, mas hoje esse número diminuiu para oito dentes por aluno da graduação.
Pesquisa No começo, o Banco usava os dentes para colagem, isto é, transplantava dentes doados em pacientes. Com o tempo, surgiram técnicas mais simples e o Banco se redirecionou para armazenamento de dentes para pesquisa.
O foco atual é o de oferecer dentes para alunos de graduação e pós-graduação, para pesquisas, e para professores usarem em suas aulas, quando não é possível utilizar dentes artificiais. O BDH divide-se em Divisão Decídua, que armazena dentes-de-leite para pesquisa, e a Divisão Permanentes, que oferece dentes para ensaios pré-clínicos dos alunos.
Os dentes são conservados sob refrigeração até o momento da esterilização |
Os dentes são levados para o Banco depois de os doadores assinarem um termo de doação. Lá, são lavados com sabão e armazenados em recipientes com água, dentro de uma geladeira. Os dentes permanentes que apresentam tártaro ou outro tipo de contaminação são raspados.
A esterilização acontece quando o dente vai ser usado. "O tipo de solução que vai ser usada para esterilização depende do objetivo da pesquisa, por isso deixamos que o próprio pesquisador escolha", explica Alessandra. Os dentes para os graduandos são esterilizados no Banco.
Futuro Todo ano, em setembro, a FO monta na reunião anual da Sociedade Brasileira de Pesquisa em Odontologia (SBPqO) um Consultório Científico, onde explica o funcionamento do Banco para faculdades de Odontologia interessadas. Também são procurados na própria faculdade: A Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), a Unesp de Araraquara e a Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP), entre mais de cem universidade de outros Estados brasileiros e países da América Latina, já consultaram o BDH.
"Estamos tentando parcerias com hospitais e prefeituras com o objetivo de conscientizar a todos de que o dente é um órgão. Queremos funcionar como um banco de órgãos", explica Imparato. Mostrar para as crianças a importância da doação é outro objetivo: "Eles doam os dentes hoje. Mais adiante, podem se tornar doadores de órgãos".
fonte:
Agência USP, Março de 2005. |
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